Três mil militantes acampados na Seagri

Os cerca de três mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais(MST) continuam alojados na Secretaria da Agricultura – Seagri, no Centro Administrativo da Bahia _ CAB. O cenário é de um acampamento, com centenas de barracas, lonas, colchões, redes e sacolas.

A sombra das árvores virou ponto de acomodação para se dormir, assim como para instalação da copa,- com fogões, panelas e talheres, – o pátio virou local das refeições e vendas de lanches. Os sem-terra estão espalhados na área externa do CAB e também na recepção e parte do térreo da Seagri.

Os manifestantes chegaram à secretaria na segunda-feira (11), e foram recebidos com “cordialidade”, sem nenhuma resistência pelo órgão público, que forneceu carne e instalou 30 banheiros químicos, o que não é suficiente para a quantidade de pessoas, que acabam fazendo suas necessidades na grama. A fonte decorativa que fica na frente do órgão virou “piscina” para os militantes.

Enquanto os manifestantes foram recebidos cordialmente pela Seagri, a equipe desta Tribuna encontrou “hostilidade” por parte dos trabalhadores rurais, que, de forma ameaçadora, inibiam outras pessoas que queriam falar. Os seguranças e assessores do MST nos acompanharam durante toda a matéria, e disseram, entre palavrões e ofensas – “ninguém fala nada com a imprensa, só os organizadores podem falar”.

Essa ação do movimento, assim como outras que estão acontecendo em outras partes do Brasil, faz parte do chamado Abril Vermelho, atos que marcam a passagem do massacre das 19 vítimas, em Eldorado dos Carajás, assassinados pela Polícia Militar do Pará em 17 de Abril de 1996. Além da homenagem, eles reivindicam a aceleração da Reforma Agrária, desapropriação de terras, construção e reformas de casas, infraestrutura para os assentamentos, educação, saúde e lazer.

De acordo com o coordenador do MST, na Bahia, Marcio Matos, o acampamento é por tempo indeterminado, e que só será suspenso quando entrarem em um consenso para atender as reivindicações. “Queremos as melhorias nas condições de vida dos trabalhadores rurais, queremos instalação de escolas nos assentamentos, assistência médica, assim como a regularização das terras destinadas a pequenos agricultores. A reforma agrária é a nossa luta de anos”, explicou Matos.

A rodada de negociações, deste ano, entre MST e governo, deve durar mais tempo, em decorrência a ausência do secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Sales, que está na China, com o governador Jaques Wagner, integrando a delegação brasileira, em missão comercial da presidente Dilma Rouseff.

“Como o secretário da Seagri está viajando, as negociações serão feitas entre os representantes do movimento e uma comissão formada por várias secretarias, coordenadas pelo secretário estadual de Relações Institucionais, Cezar Lisboa, que negociará com o governador”, assegurou a assessoria da Seagri.

Enquanto a comissão ainda está se organizando para a as negociações, o coordenador Matos garante, “se ele não resolver, iremos permanecer aqui até a chegada do governador. São reivindicações antigas e prometidas por ele nas campanhas”, garantiu Matos.

As ocupações iniciaram desde o princípio de abril, quando o MST ocupou 36 fazendas na Bahia, as três últimas ocorreram no último final de semana. A maioria das ocupações ocorreu no extremo sul do Estado. O MST não conseguiu, este ano, alcançar a meta de 50 invasões como aconteceu nos anos anteriores.

Ascom-Rezende

Fonte: Seagri

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