Serviço Florestal capacita peritos da Polícia Federal para identificar madeiras

O combate à exploração ilegal de madeira ganhou reforço com a capacitação de 19 peritos da Polícia Federal realizada no Serviço Florestal Brasileiro. Durante uma semana, especialistas de oito estados – cinco deles da região Norte -, mais o Distrito Federal, participaram de um curso para aprender a identificar madeiras.

O perito criminal Antônio Pires, que trabalha em Marabá (PA), diz que o conhecimento é fundamental nas operações, principalmente em rodovias. “Às vezes a discordância entre a madeira que está no caminhão e aquela declarada na nota é grosseira, e se não soubermos identificá-la, não há como questionar o que está no documento”, diz.

Em agosto, Pires participou da Operação Acuti, que desarticulou um esquema fraudulento de venda de castanheiras – cujo corte é proibido – do Pará para o Rio Grande do Sul. Os policiais analisaram a madeira para se certificarem de que eram da espécie em questão. “Só vamos determinar que há um ilícito se soubermos qual é a madeira. Por isso, a identificação é prioritária e tem que ser feita na hora para haver a prisão em flagrante”, diz.

Redes – A atuação em estradas e serrarias ajuda a descobrir que, às vezes, a fraude começou bem antes. Se a serraria tem madeiras de tipos ou quantidades diferentes daquelas que constam no sistema de controle do órgão ambiental competente, é possível que a irregularidade tenha iniciado na fase de extração.

“A falsidade ideológica pode começar desde a elaboração do plano de manejo, quando a árvore não é identificada da forma correta, com um inventário florestal fraudulento”, afirma o perito criminal e engenheiro florestal Marcelo Garcia de Barros.

Com as informações obtidas no curso, Barros diz que o trabalho se tornará mais efetivo. “A capacitação vai permitir aos peritos constatar fraudes de maneira mais contundente e nos dar mais um instrumento para averiguar se a comercialização está sendo feita corretamente.”

Chave-interativa – Os peritos da Polícia Federal usaram no curso um software gratuito desenvolvido pelos pesquisadores do Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal que reúne 60 características diferentes de 158 espécies encontradas no comércio, inclusive daquelas presentes na lista da Convenção Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites).

O sistema digital traz informações como cor, cheiro, aneis de crescimento, porosidade e parênquima, além de imagens ampliadas da estrutura da madeira que ajudam o profissional a consultar dados específicos e a tirar dúvidas na hora de identificá-las.

“Queremos difundir esse conhecimento para possibilitar a todos que atuam na área ambiental ter acesso a esse material didático de utilização prática em campo”, afirma a pesquisadora do LPF Vera Coradin, que trabalha há 30 anos com anatomia de madeira.

As capacitações para identificação de madeira têm sido realizadas desde 1984 para agentes do Ibama, servidores de órgãos estaduais de meio ambiente, integrantes de batalhões ambientais e policiais. Esta é a primeira vez que o Serviço Florestal ministra, em Brasília, as aulas do “Curso de Identificação Macroscópica no Combate à Exploração, Transporte e Comércio Ilegal de Madeira”, promovido pelo Departamento de Polícia Federal.

Ascom-Rezende

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Editado por: Suelene Gusmão

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