Secretário da agricultura quer pacto pela defesa agropecuária do Brasil

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MG_3273-560x279A união entre entidades do setor agropecuário na formação de um pacto pela defesa agropecuária do País foi defendida pelo presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura do País, Eduardo Salles, e titular da pasta na Bahia, durante a abertura do 40º Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária (Conbravet), na noite de segunda-feira (18), no Bahia Othon Palace Hotel, em Salvador. Salles alertou para os prejuízos que podem ser causados com o cancelamento dos convênios plurianuais firmados entre o Ministério da Agricultura (Mapa) e estados do Brasil, destinado à defesa agropecuária animal e vegetal.

A defesa agropecuária é constitucionalmente uma responsabilidade do Ministério da Agricultura (MAPA) e há alguns anos essa atribuição foi repassada para as Secretarias Estaduais de Agricultura, com os respectivos repasses financeiros para a prestação deste serviço. Com o cancelamento dos contratos, os estados continuam com a responsabilidade, mas sem os recursos.

“É preciso mostrar para o governo federal a importância dos convênios. Se houver demora para que este recurso seja novamente liberado, a sua aplicação em ano eleitoral será mais complicada, podemos perder os R$ 150 milhões, valor total dos convênios com os estados”, destacou Salles, acrescentando que as fronteiras do País estão expostas a qualquer praga que possa adentrar no Brasil e afetar a economia.

Eduardo Salles alerta que o fim dos repasses comprometerá, entre outras ações, as campanhas de vacinação contra Febre Aftosa, principalmente nos acompanhamentos diretos das vacinações fiscalizadas, assistidas e oficiais realizadas em assentamentos e áreas indígenas, comprometendo as metas estipuladas pelo próprio Ministério da Agricultura (Mapa) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA) e diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada à Seagri, Paulo Emílio Torres, “a falta dos convênios vai gerar ainda a redução das atividades de vigilância epidemiológica e prevenção de doenças que causam impactos econômicos e sociais comprometendo o Estado e o País, através de sansões sanitárias; e provocar a redução das fiscalizações móveis, principalmente nas áreas de divisa do Estado e eventos agropecuários, comprometendo o status sanitário alcançado pela Bahia, exemplo de Livre de Febre Aftosa com Vacinação com reconhecimento Internacional, Livre de Peste Suína Clássica, Livre de Influência Aviaria e Doença de Newcastle em criatórios industriais”.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina, Josélio de Andrade Moura destacou a importância de discutir mudanças nos procedimentos de manuseio de carnes no Brasil, visando mais higiene e segurança para consumidores.  “Sabemos que o que é exportado, para atender o mercado internacional é diferente do que chega à mesa dos consumidores brasileiros. A inspeção municipal e estadual em diversas unidades da federação não atesta um produto completamente confiável para o consumidor”, explicou.

Diante deste cenário, Josélio informou que haverá uma reunião com secretários de agricultura dos municípios brasileiros para debater a melhor forma de melhorar a qualidade dos produtos agropecuários, seja carne, leite ou outros. “Muitas vezes não requer altos investimentos, é apenas a metodologia de trabalho que define a qualidade dos produtos”, pontuou.

Bioterrorismo

O congresso ainda abordará a preocupação com a segurança de diagnósticos laboratoriais veterinários. “Da mesma forma como acontece com as pessoas, é preciso ter uma rede de laboratórios que lhe dê uma segurança no diagnóstico animal”, disse.

Responsáveis técnicos por diagnósticos debaterão uma maneira de ajustar as práticas, para se adequarem às novas normas definidas pelo Ministério da Agricultura, visando a segurança no diagnóstico, e que não venha encarecer o produtor, que é quem paga pelo resultado dos exames.

Eventos paralelos

O Brasil se destaca como potência na pecuária, tem o maior rebanho comercial do mundo, maior exportador de carne bovina e tem atraído a atenção mundial. Diante deste cenário, profissionais se reúnem no XXIII Encontro de Medicina Veterinária Militar para discutir qual a probabilidade e prevenção em caso de um possível bioterrorismo no País. “O crescimento do Brasil está despertando a curiosidade do mundo, para o bem e para o mal. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) tem um grupo de trabalho cuidando disso, inclusive”, disse.

Outro evento em paralelo ao congresso é o IX Encontro Nacional de Aquicultura. O Brasil possui 20% da água doce do mundo e a Bahia tem uma costa de 850 km, com grande potencial para a produção de peixes e outros animais aquáticos em cativeiro. “O mercado está cada vez mais ávido por essa proteína leve e saudável”, ressaltou.

O Congresso, realizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária e pela Sociedade de Medicina Veterinária da Bahia, com o apoio do governo da Bahia, segue até o dia 21 de novembro.

Fonte: Adab
Decom: Fabiana

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