Produtores brasileiros vão aos Estados Unidos trocar experiências com norte-americanos

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Grãos USAOs agricultores brasileiros que visitaram os Estados Unidos, para conhecer lavouras de grãos e novidades, na maior feira do agronegócio norte-americano, voltam para o Brasil com muito conhecimento e novas ideias. Esse saldo positivo é tema da última reportagem da série especial, gravada no Cinturão de Grãos, formado pelos Estados de Iowa e Illinois.
A primeira coisa que foi possível perceber é que não existe área de refúgio nas plantações. Sementes convencionais e transgênicas são plantados juntas.
– Nós compramos o refúgio que já vem misturado nas sementes. Eu acredito que 10% do milho não é geneticamente modificado. As sementes estão juntas, e nós plantamos a mistura na propriedade – explica o agricultor americano Gordon Wassenaar.
Nas visitas às propriedades, os agricultores contaram como é o dia-a-dia de trabalho e tiraram dúvidas. Um engenheiro agrônomo do Brasil traduzia toda a parte técnica da conversa para o grupo de visitantes.
– Não explicamos só as máquinas, as técnicas, mas como o americano lida, de forma geral, com o trabalho dele – diz o coordenador operacional da Caep, Jorge Drabczynski.
Todas as fazendas têm silos para armazenar os grãos. Mas não é só isso, o Cinturão produtor conta com um eficiente sistema de escoamento da safra. Boa parte da produção agrícola do país passa pelas águas do rio Mississipi, que corta os Estados Unidos de norte a sul.
– Nosso sistema de transportes existe há 150 anos. Não é algo que se faz rápido. Por maior e mais rico que o seu país seja, não se pode colocar em funcionamento todas as ferrovias, ou toda a rede elétrica necessária, em dez ou 15 anos – pondera o diretor da Universidade do Estado de Iowa, James Patton.
O que se pode por em prática é o aprendizado, o que se viu de novo no manejo da lavoura e que vai ser adaptado à realidade brasileira.
– Aqui, nós notamos que eles estudam bastante o cenário que eles vivem. E, talvez, cabe a nós fazermos isto também. Analisar mais profundamente o nosso cenário e fazer as adaptações, os ajustes necessários para o seguimento que nós estamos atuando – sugere Roque Edson da Silva, produtor do Brasil.
– Talvez, espaçar mais entre plantas, para reduzir focos de mofo branco, doenças fúngicas. No Brasil, a gente utiliza espaçamento de 50 centímetros. Aqui, o espaçamento deles é de 76 cm. Eu vou tentar adequar o espaçamento daqui, lá – considera o produtor e visitante Marcos Antonio Rodrigues.
As máquinas agrícolas dos americanos chamam a atenção. Nos galpões, elas são muitas: tratores, colhedoras e tudo que se possa imaginar. Nos Estados Unidos, estas máquinas são tratadas com muito carinho. Em uma das propriedades visitadas, o maquinário novo fica de um lado e as relíquias da família são expostas de outro. E não é preciso fazer as contas para perceber que tem muito mais equipamento do que gente no campo, é somente a família que costuma dar conta do recado.
– No Brasil, a agricultura familiar hoje é bem restrita. Aqui, você chega tá o pai, o filho e o avô trabalhando. Então, isso, me chamou muito a atenção aqui – contou o engenheiro agrônomo e produtor brasileiro Carlos Eduardo Derussi Aquino.
A conversa de produtores norte-americanos e brasileiros é uma grande troca de informações e experiências. Ambos se interessam pelos métodos praticados em cada uma das realidades. E uma das lições é que nem sempre ser diferente significa ser pior.
– Quando nós olhamos para o americano, nós também podemos ver que nós temos grandes benefícios no Brasil. Principalmente o clima. Nós fazemos duas safras, eles aqui fazem uma safra – ressalta o produtor Luiz Carlos Rodrigues.
Fonte: RuralBR
Decom – Armênio

Foto: Reprodução/Central Grãos

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