O QUE FAZER COM A EMBRAPA

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Em artigo recente para a “Folha de São Paulo”, o professor Delfim Netto justificou atividades organizacionais que só podem ser exercidas pelo governo. O professor se referia à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Desde a sua criação, em dezembro de 1972, a Embrapa vive em perigosa montanha-russa de disponibilidade de recursos financeiros para fazer o que poucos fizeram pela agropecuária nacional.
Seu raciocínio é simples e certeiro: não é possível conciliar o imediatismo da realização de lucros na iniciativa privada com o interesse coletivo. Para isso dá o exemplo hipotético de uma variedade de feijão resistente a um fungicida que a própria empresa produz. Ela somente irá lançar tal semente no mercado após seus investimentos em pesquisa, patente, produção e distribuição com o fungicida tiverem o retorno pretendido.
É prioritário em empresas privadas priorizar o interesse dos acionistas mesmo que isso não beneficie à coletividade. O contrário do que deve ser a gestão estatal. Pena ser esse um barco que naufraga sempre que governos perdem a noção das prioridades da sociedade, e não promovem sustentação e recursos para serviços, produtos e inovações tecnológicas fundamentais para o desenvolvimento do país.
É o que acontece hoje com a Embrapa, citada por Delfim. Por falta de apoio governamental, a empresa, apesar da competência e esforço de seus pesquisadores, não consegue impor inovações tecnológicas e competir com as grandes multinacionais do setor, vendo sua participação no mercado cair de forma vertiginosa.
É o que basta para que as viúvas do neoliberalismo proponham sua privatização. Palavra mágica que cruzou os céus do país nas últimas décadas, e quando pontualmente criticada faz ouvir: “Do que você se queixa, hoje todos têm vários telefones?” Então tá.
Depois de um salto de 2008 para 2009, o orçamento da Embrapa mantém-se até hoje estagnado, um prejuízo enorme para a agropecuária e desenvolvimento nacionais.
Como o petróleo da camada do pré-sal que faz norte-americanos revirarem olhinhos para a pujança tupiniquim, inovações tecnológicas, correção de manejos para a agricultura familiar e projetos aproveitando a nossa biodiversidade são assuntos estratégicos para o futuro do país.
Devagar com o andor, pois, senhores privatistas. Pé na tábua da Embrapa, governo federal!

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br

Ascom-Rezende

 

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