Inflação do peixe dispara no país

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O preço do peixe nesta quaresma está salgado em todo o Brasil, mas em nenhum outro lugar o produto subiu tanto quanto no Distrito Federal. Se para o restante do país o custo do pescado aumentou, em média, 9,39% desde março do ano passado – o que representa mais que o dobro do centro da meta de inflação determinada pelo Banco Central -, para o brasiliense a alta foi recorde: 23,56% no período. Preços tão elevados se justificam pelo aumento da demanda nos 40 dias que antecedem a Páscoa e, no caso do brasiliense, também devido ao alto poder aquisitivo dos consumidores, o que possibilita ganhos maiores aos produtores.

Levantamento realizado pelo Correio nos bancos de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traçou um ranking da maior e da menor inflação dos pescados em 11 unidades da federação (veja quadro). No primeiro lugar da lista está o Distrito Federal. Na segunda colocação vem Belém (PA), com elevação de 18,36% em 12 meses. “O que ocorre no DF é que a cidade tem características de uma população de melhor formação e uma renda per capita maior. Cada brasiliense consome cerca de 12kg de peixe por ano”, explica o coordenador geral de comercialização do Ministério da Pesca e Aquicultura, Abraão Oliveira Neto.

Segundo dados do ministério, o consumo de peixes no país se intensifica a partir de fevereiro, atingindo seu pico em março, quando as vendas do produto crescem cerca de15% frente a um mês comum. A alta da compra do pescado é acompanhada também pela elevação de preços. De 20 tipos de peixes pesquisados pela reportagem e mais consumidos pelo brasileiro (veja quadro), 16 apresentaram alta de preços na quaresma. Entre os que subiram, apenas um ficou abaixo do centro da meta de inflação, o peixe cação, que registrou incremento de 2,28% desde março de 2009. Os campeões em alta foram dourada (elevação de 22,62), anchova (21,02) e piramutaba (21,57). O produto de contraponto foi o bacalhau, com a queda mais expressiva, um recuo de 11,76%.

Na tentativa de equilibrar preço e demanda, o Ministério da Pesca tenta ampliar a produção nacional por meio de parques aquícolas. O último a entrar em funcionamento foi o de Serra da Mesa, em Goiás. Quando o local chegar ao máximo da produção irá colocar no mercado quase 100 mil toneladas de pescado, o equivalente a um terço da aquicultura do Brasil.

Tendência

Ainda que todo esse produto chegue ao mercado, economistas e especialistas no segmento não acreditam que os preços caiam. O aumento da produção será acompanhado pelo aumento da demanda, advertem. “O importante é a questão do equilíbrio entre oferta e demanda para reduzir a oscilação do preço durante a Semana Santa. Estamos trabalhando neste sentido”, reforça Abraão Oliveira. “As pessoas estão mudando seus hábitos de consumo. Estão melhorando a alimentação e isso leva ao maior consumo de pescados. O aumento da renda da população também colabora para isso; quanto mais crescer o orçamento familiar, maior será o interesse por produtos mais nobres, como peixes e camarões”, explica o ministro da Pesca, Altemir Gregolim.

No caso do Distrito Federal, mesmo a proximidade com o parque aquícola de Serra da Mesa não deverá tornar o custo do produto mais acessível. “Os clientes principais são os 15 ou 20 municípios próximos da área. Quem mora nesses locais tem prioridade. Os prefeitos estão mobilizados nesse sentido, tanto para produzir peixe como para incentivar o consumo”, afirma o ministro.

Ascom – Armênio

Fonte: Correio Braziliense

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